Porque a história não deve ser esquecida.
Título: KL – A História dos Campos de Concentração Nazis Autor: Nikolaus Wachsmann Editora: Dom Quixote Páginas: 888 Preço: 34,90€
Deixo-vos algumas passagens que encontrei neste artigo do observador que merece leitura integral:
Por vezes é necessário pôr de lado "KL", de Nikolaus Wachsmann,
não porque a escrita seja pastosa – pelo contrário, está admiravelmente
escrito – mas porque a náusea pode tornar-se insuportável.
A 1 de Janeiro de 2016, Mein Kampf entrará no domínio
público e o estado da Baviera, actual detentor dos direitos de autor do
livro, deixará de poder impedir a sua publicação na Alemanha, como tem
acontecido até agora. Inevitavelmente, há reedições a serem preparadas,
que estão, também inevitavelmente, envoltas em acesa polémica, entre os
que defendem que o livro é uma “ferramenta académica” ou que não pode
apagar-se a história e os que receiam as influências perniciosas que o
livro possa exercer, para mais em altura de recrudescimento de
sentimentos anti-semitas pela Europa fora.Uma solução de compromisso poderia ser a obrigatoriedade de comercializar Mein Kampf num “pacote” com KL: A História dos Campos de Concentração Nazis, de Nikolaus Wachsmann, que a D. Quixote acaba de editar em Portugal. Se, 70 anos após a morte de Hitler, ainda restar veneno em Mein Kampf e ainda houver espíritos suficientemente simplórios ou retorcidos para serem enfeitiçados por tão indigente amálgama de atoardas, incitamentos ao ódio, auto-glorificação, delírios megalómanos e distorções malévolas, KL será o antídoto.
Importa realçar que o assunto do livro não é o Holocausto: Wachsmann foca-se nos campos de concentração, deixando de fora os campos de extermínio e os campos de trabalho, exceptuando, claro, casos como o do complexo de Auschwitz-Birkenau, onde as três “valências” coexistiam.
Assim, está cá o miúdo de 13 anos acabado de chegar ao campo de Ebensee que foi assassinado por um grupo de prisioneiros apenas para lhe ficarem com o pão;
o jovem judeu, que face ao pânico que tomou conta do seu grupo à entrada da câmara de gás quando correu o rumor do destino que os esperava, subiu a um banco e tentou tranquilizar todos, garantindo que não iriam morrer, “porque um massacre indiscriminado de inocentes, de modo tão bárbaro, não podia acontecer em lado nenhum do mundo”;
Ján Weis, um judeu eslovaco cujo trabalho na enfermaria do campo passou por auxiliar o médico SS a assassinar doentes com uma injecção letal e descobriu que no grupo de condenados que entrou na enfermaria estava o seu próprio pai;
o Reichsführer SS Himmler proclamando, perante generais da Wehrmacht, em 1944, que os prisioneiros dos seus campos” viviam melhor do que muitos trabalhadores da Inglaterra e da América”.
Os carrascos também precisam de relaxar: os guardas e pessoal administrativo de Auschwitz-Birkenau gozavam de licenças regulares no pequeno e discreto resort de Solahütte, perto de Auschwitz
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