Pesquisar neste blogue

terça-feira, 15 de setembro de 2015

KL – A História dos Campos de Concentração Nazis

Há coisas que merecem ser repassadas.
Porque a história não deve ser esquecida.

Título: KL – A História dos Campos de Concentração Nazis Autor: Nikolaus Wachsmann Editora: Dom Quixote Páginas: 888 Preço: 34,90€
KL Uma Historia dos Campos de Concentracao Nazis
Deixo-vos algumas passagens que encontrei neste artigo do observador que merece leitura integral:

Por vezes é necessário pôr de lado "KL", de Nikolaus Wachsmann, não porque a escrita seja pastosa – pelo contrário, está admiravelmente escrito – mas porque a náusea pode tornar-se insuportável.
A 1 de Janeiro de 2016, Mein Kampf entrará no domínio público e o estado da Baviera, actual detentor dos direitos de autor do livro, deixará de poder impedir a sua publicação na Alemanha, como tem acontecido até agora. Inevitavelmente, há reedições a serem preparadas, que estão, também inevitavelmente, envoltas em acesa polémica, entre os que defendem que o livro é uma “ferramenta académica” ou que não pode apagar-se a história e os que receiam as influências perniciosas que o livro possa exercer, para mais em altura de recrudescimento de sentimentos anti-semitas pela Europa fora.

Uma solução de compromisso poderia ser a obrigatoriedade de comercializar Mein Kampf num “pacote” com KL: A História dos Campos de Concentração Nazis, de Nikolaus Wachsmann, que a D. Quixote acaba de editar em Portugal. Se, 70 anos após a morte de Hitler, ainda restar veneno em Mein Kampf e ainda houver espíritos suficientemente simplórios ou retorcidos para serem enfeitiçados por tão indigente amálgama de atoardas, incitamentos ao ódio, auto-glorificação, delírios megalómanos e distorções malévolas, KL será o antídoto.
Por vezes, há livros que são descritos como “um murro no estômago”. KL não é um murro no estômago, é uma saraivada de murros, incessante, implacável, que se estende, sem esmorecimento, por 634 páginas (mais 220 de apêndices, notas, bibliografia e índice remissivo). KL (era esta a forma como eram designados, na linguagem quotidiana e nos documentos oficiais, os Konzentrationslager = campos de concentração) sintetiza uma colossal quantidade de informação sobre a rede concentracionária nazi e apresenta-a de forma neutra, objectiva e sobrenaturalmente clara, desfazendo algumas generalizações, simplificações e preconceitos que se foram enraizando com o passar dos anos.
Importa realçar que o assunto do livro não é o Holocausto: Wachsmann foca-se nos campos de concentração, deixando de fora os campos de extermínio e os campos de trabalho, exceptuando, claro, casos como o do complexo de Auschwitz-Birkenau, onde as três “valências” coexistiam.


Assim, está cá o miúdo de 13 anos acabado de chegar ao campo de Ebensee que foi assassinado por um grupo de prisioneiros apenas para lhe ficarem com o pão;

o jovem judeu, que face ao pânico que tomou conta do seu grupo à entrada da câmara de gás quando correu o rumor do destino que os esperava, subiu a um banco e tentou tranquilizar todos, garantindo que não iriam morrer, “porque um massacre indiscriminado de inocentes, de modo tão bárbaro, não podia acontecer em lado nenhum do mundo”;

Ján Weis, um judeu eslovaco cujo trabalho na enfermaria do campo passou por auxiliar o médico SS a assassinar doentes com uma injecção letal e descobriu que no grupo de condenados que entrou na enfermaria estava o seu próprio pai;

o Reichsführer SS Himmler proclamando, perante generais da Wehrmacht, em 1944, que os prisioneiros dos seus campos” viviam melhor do que muitos trabalhadores da Inglaterra e da América”.

10827924_10203557183481295_295312041272581180_o
Os carrascos também precisam de relaxar: os guardas e pessoal administrativo de Auschwitz-Birkenau gozavam de licenças regulares no pequeno e discreto resort de Solahütte, perto de Auschwitz

Sem comentários:

Enviar um comentário