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sexta-feira, 5 de abril de 2013

A tua amiga é uma puta? (parte 2)

Fonte
 Como provavelmente se recordam, esta é a 2ª parte da história da minha amiga Maria. Que por acasos da vida, é puta. Ou profissional do sexo, como tantas vezes me recorda...
Na primeira parte contei como descobri pelo TóJó que a Maria estava a aceitar uns clientes na sua casa para pura "distracção".
Quando me despedi dele, e após pensar longamente (durante uns 3 ou quase 4 segundos), tomei a decisão de tirar a história a limpo. Liguei-lhe. Perguntou-me como tinha conseguido o número e falei-lhe no TóJó. Ela esperou uns segundos antes de me responder um pouco secamente, que ficava marcado para sexta-feira, pelas 18h.
À medida que as horas iam passando e se ia aproximando a hora fatídica, dei por mim a pensar em como se calhar não era assim grande ideia aparecer de surpresa, uma pessoa que já tinha sido amigo. Ia ser de certeza um momento constrangedor, para ambos. E no entanto já tinha marcado e ela não me tinha reconhecido - ou por outra, se reconheceu também não o disse...
São agora 17:30h, estou em casa e o coração bate acelerado. Sinto o sangue a pulsar em todo o meu corpo, como que amplificando todos os meus sentidos. Acendo um cigarro e dou mais um golo no Jack
Faltam agora 10 minutos, apago a tv, termino o Jack e apago o cigarro. 
Estou à porta dela, toco para o 7º direito. Do outro lado nem uma resposta, apenas oiço o fecho da parte da rua a ser accionado de forma a permitir a minha entrada. O prédio continua quase igual, apenas está um pouco mais gasto da passagem do tempo, e os elevadores estão de certa forma remodelados, obedecendo obviamente à legislação que agora vigora. Uma viagem de 7 andares que passa rapidamente e sinto-me estranho, como se fosse em direcção a um castigo qualquer - ou apenas um apertar de coração pois não sei o que vou encontrar...
Toco à porta, e espero. Do outro lado sinto passos de saltos altos, pausa, e após longos segundos a mesma abre-se. Aí está a Maria. Ficamos a olhar-nos mutua e longamente, sem dizer uma palavra, sem respirar - Estamos de certa forma bloqueados e sem palavras. Então, num salto quase felino, a Maria dá um passo em frente e agarra-se a mim, abraçando-me e rindo:
- Son! És mesmo tu. Bem me parecia que a tua voz me era familiar, mas não quis estar a arriscar pelo telefone. Que bom!
- Maria. Que bom ver-te. 
- Entra, entra. Tenho aqui um copo para relaxar e podemos ficar um bocado na conversa. Hoje já não vou fazer mais nada, portanto estamos tranquilos.
- Maria...
- Son, não precisas de ficar constrangido. Pensa antes que somos dois amigos, que se encontram, sem mais nada. Pode ser assim? - exclamou com meias certezas.
- Maria. Gosto de te ver. Estás... bem. Sim, podemos ser os amigos do costume. Mas tenho que te confessar...
- Sim Son, eu sei - interrompeu-me ela enquanto servia um scotch e me passava uns aperitivos - tens muitas perguntas e podes fazê-las todas, sem qualquer problema. Depois disso de certeza que me podes contar o resto, o que realmente interessa.
- ...
- Como me tornei profissional do sexo? Bom, tudo começou no dia em que me despediram. Fui ao IEFP inscrever-me e enquanto o fazia, o homem que me atendeu questionou-me se estaria interessada em que o meu processo ficasse um pouco mais prioritário. Fiquei curiosa e perguntei em que consistia essa "priorização" do meu processo. E ele explicou-me que podia ser escolhida mais facilmente para ter cursos pagos, os melhores empregos antes dos outros todos entre outros benefícios, como não ter de andar por cá a correr de 15 em 15 dias para renovar o processo... Obviamente que a coisa tinha um preço e quando pensei que ele me ia pedir dinheiro, disse-me que se concordasse depois falaríamos, fora do espaço, pedindo apenas autorização para ficar com o meu número de telefone - falava fluída e rapidamente, como se querendo passar depressa para o patamar seguinte da nossa conversa - disse-lhe que sim, que me ligasse então.
- E ligou?
- Ligou à noite, identificou-se, perguntou se era oportuno e lá me explicou que apenas queria sair comigo, se eu concordasse. O tipo até era engraçado e concordei, na expectativa depois de ver o que dali viria...
- E saíste mesmo com ele?
- Sim, fomos jantar, ao cinema e depois ele veio levar-me a casa. Nessa noite ele pediu-me mais uma saída, e assim fizemos. Marcámos uma saída para o dia seguinte.
- E não...
- Não, não aconteceu nada nessa noite, foi um verdadeiro gentleman. No dia seguinte, veio buscar-me, saímos para jantar, levou-me até à praia, o ambiente criou-se e beijámos-nos. Isto durou um mês, mais ou menos e o facto é que as propostas do IEFP que me chegavam eram excelentes. Bons salários e empresas.
- Então saíste com ele ...
- Saí com ele porque quis! - interrompeu-me ela quase irritada. - deixa-me continuar, está quase no fim.
- Ok. - exclamei.
- Como te estava a contar, as oportunidades de emprego iam-se sucedendo até que fui a uma entrevista para um laboratório farmacêutico, muito conhecido e conceituado. Ia para a vaga de secretária da administração, com um salário bruto de 1.400€, mais umas ajudas de custo e afins, que dava para receber líquidos quase o mesmo. Tinha um senão, obviamente. O tipo que me entrevistou meteu-me a mão nas costas, deixou-a lá ficar e com falinhas mansas a mão começou a descer para a minha blusa. 
- A sério?!
- Sim... a sério! Enquanto a mão dele ia descendo, ia pensando nas minhas alternativas: ou aceitava o jogo e ficava confortável, ou dava-lhe uma chapada e ia-me embora. Dei-lhe uma chapada, e disse-lhe que para ser puta, tinha de ser muito mais bem paga do que 8€/h...
- O tipo deve ter ficado em brasa...
- Sim, ficou, começou histérico aos gritos a chamar pela segurança. Eu agarrei na minha mala, saí dali e virando-me para a secretária dele, disse-lhe que percebia porque é que ela queria sair dali... Sorriu-me e piscou-me o olho...
- Que coisa... já tinha ouvido falar. Mas assim tão descarado, é preciso lata.
- É para veres o que sofrem as mulheres. Mas adiante, foi a pensar no que lhe disse que saí dali. Ora bem, com este corpinho que Deus me deu, já tinha sido assediada duas vezes, porque não fazer render o peixe. Amadureci a ideia e cheguei à conclusão que, fodida por fodida, então que me paguem. E bem. Meti um daqueles anúncios num jornaleco, criei um email, e sempre que alguém me respondia, pedia uma foto dessa pessoa, com o jornal do dia na mão, aberto em determinada página, para evitar montagens... Comecei por cobrar 50€, neste momento cobro 300€ por cada vez que cá vêm. Tenho alguns clientes fixos, que vêm até algumas vezes por mês e um rendimento bastantes mais interessante do que qualquer profissão que possa ter aí fora. Pago uma parte em impostos, recebo o iva de uma empresa que precisa de despesas e fica tudo na santa paz.
- Caramba. Que história...
- Mas ouve lá Son, não achas que tenho razão? Imagina que me caso... Tenho sexo com o mesmo gajo para o resto da vida, que vai piorando à medida que o tempo vai passando, que vamos envelhecendo. Além disso tenho de lhe parir filhos, e ainda ir trabalhar 30 dias por mês, entre tarefas domésticas e profissionais. Finalmente iremos para a cama umas 10 vezes por mês, isto nos meses bons. Imagina então o que ganho com 10 tipos que venham cá? Digo-te, as mulheres têm o poder porque os homens não conseguem pensar com outra coisa do que com a cabeça errada. Comecei nisto há um par de meses e já juntei mais dinheiro do que pensei que ia ganhar em vários anos, quanto mais juntar... Ao fim de 10 anos disto, estou reformado e piro-me para outro país, onde ninguém me conheça, com sol e praia onde vou terminar os meus dias...
- É... parece que tens tudo pensado. 
- Sabes, por mais planos que façamos, nada nos impede de alterar o jogo. Sou mulher e todas as mulheres querem a mesma coisa, mas enquanto isso não acontece... é assim que vai ser a minha vida!

(to be continued)....




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