Vejam lá se entendem de uma vez por todos, gajas e gajos desse mundo fora: Apanharem um pifo, por muito monumental que seja, não vos apaga a memória nem vos iliba dos actos que tomaram durante esse período.
No outro dia ligou-me o meu amigo A., eram umas 6 da manhã, completamente desesperado:
- Son, ainda bemmmmm que te encontro. Pá!
- A.!? Wtf? És tu? A esta hora...
- Son... tens de me fazer o favor de me acolher pá. E rapidinho. Está a ficar tarde...
- Recolher? Mas que raio te aconteceu?
- "Recoslheme" ou não? - reclamou ele com uma voz que identificava agora, era a de alguém que tinha passado das marcas há umas 2 ou 3 garrafas atrás.
- Recolho. Vens cá ter ou vou-te buscar?
- Tou no táxi. 10 minutos e estou aí!
- Ok.
Desligo o telefone.
Coitada da M., sua mulher. Mais uma daquelas noites que só o A. tem e que provavelmente deve ter acabado na cama de alguma gaja ainda mais maluca do que ele.
Passam 8 minutos e o A. já toca à porta.
Abro e vejo-o num estado lastimoso.
Não digo nada, levo-o à casa de banho, toma um banho rápido, veste a mesma roupa que tinha deixado a arejar no estendal e senta-se. Dou-lhe um guronsan para o ajudar a aclarar as ideias.
Pergunta-me se tenho café. Vou até à máquina e tiro um café longo, aromático e quente. Aproveito e tiro outro para mim. Eram quase 7h e já que estava acordado...
Puxo de um cigarro e acendo-o, enquanto lhe estendo o maço. Tenta tirar um cigarro, e noto que está nervoso, muito nervoso.
- Conta lá A. o que foi desta vez para este filme todo?
- Preciso que digas à M. se ela algum dia te perguntar que estiveste comigo esta noite e que acabámos aqui, a fumar um cigarro e mais outro, acompanhando por um copo ou dois. Estamos cá desde as 2h. Por aí. Pode ser?
- É um pedido ou...
- É um pedido. Ajuda-me nisto pá. Meti o pé na poça. Outra vez ... - finalizou, com a voz a sumir-se como que sabendo que vinha algum tipo de sermão da minha parte.
- A. eu não tenho nada com o que fazes, só me chateia que depois tenha de mentir à M. Não vou entrar em pormenores com ela, fomos à disco e pronto!
- És o maior Son. Verdadeiro amigo.
- E vais contar o que se passou?
- Apanhei um pifo. Dos enormes. Só me lembro de acordar numa cama de uma gaja qualquer, com fotos que acho que eram do marido e filhos nas cabeceiras. Pirei-me assim que acordei e liguei-te...
- Mas não te lembras de nada?!
- De nada. Nem onde estava. Talvez seja melhor assim...
- Claro. Memória selectiva... Ok, vai lá embora que eu já ligo à M. a perguntar se chegaste bem...

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